sexta-feira, 27 de junho de 2014

São Paulo, sábado, 31 de maio de 1997

Ginasta encara acidente com bom humor


Jefferson Rudy/Folha Imagem
A ginasta Beatrice Martins com a mãe, Sônia, no Hospital de Base da Sucursal de Brasília 


Uma das vítimas do acidente na via Dutra envolvendo atletas do Flamengo foi a ginasta Beatrice Martins, 15, de Brasília.

Beatrice, que já foi campeã brasileira infantil em ginástica olímpica e ia participar da seletiva para o campeonato mundial da Suíça, dormia na hora da batida.

"Quando acordei, já estava na ambulância. Vi a Dani (a atleta Daniele Hipólito, 12) com o nariz machucado, a Úrsula, que estava desmaiada e não falou nada, e outros meninos da equipe."

Úrsula Flores, 14, sofreu traumatismo craniano e estava em coma. Beatrice quebrou os dois pés, sendo que a fratura no direito foi exposta. Ela foi operada para a colocação de um pino e, depois, transferida para Brasília.

Ontem, bem-humorada, ela disse que se assustou "mais ou menos" ao reparar o que tinha acontecido. "Até vi meu osso para fora", contou, entre risos.

Ela afirmou que está sentindo dores nas costas. "Quero me levantar da cama o mais rápido possível", disse.

Beatrice está cursando o 2º grau e não sabe ainda para que curso vai prestar vestibular.

Treina cerca de sete horas ao dia. "Ela está na ginástica desde que tinha 5 anos. Ela só faz treinar. Se, por causa do acidente, não puder mais treinar, vai ficar muito chocada", disse a mãe, a advogada Sônia Martins, 40.

Beatrice começou na ginástica olímpica sendo treinada pelo pai, Marco Antonio, 40, que também é atleta. Seu irmão, Bruno, de 12 anos, é campeão infantil.

Segundo Rafael Barbosa, diretor do Hospital de Base de Brasília, onde Beatrice estava internada, a área da lesão é um local importante para o esporte.

"Ela é jovem e deve ter uma boa recuperação. Só nessa fase será possível saber sobre seu futuro como atleta", afirmou.

Na tarde de ontem, Beatrice foi transferida para o hospital Sarah Kubitschek. Ela deve ficar com os pés engessados por cerca de 12 semanas e passar por uma recuperação de ao menos seis meses.


Folha de S.Paulo - Cotidiano.