Acordei no asfalto com um anjo perguntando o telefone de casa.
Era madrugada.
Apaguei e acordei numa ambulância.
Cortavam a minha calça jeans favorita.
O osso estava exposto.
Nada doía.
Muito tempo deitada.
Queria que “eles” resolvessem logo o “assunto”, porque tinha uma competição para participar.
Os pés não tocariam o solo nos seis meses seguintes.
Meus tios já aguardavam na sala de espera. Meu pai chegou em seguida.
Reconstruíram o pé com arame. Fios de Kirshner.
Apaguei e acordei no avião.
O corpo doía de tanto ficar deitada.
Dois dias depois, estava no Sarah.
A vida se resumia a uma cama. A um quarto.
Pensaram que tinha hemorragia interna. Era a segunda menstruação.
O corpo doía de tanto fazer nada.
Picotou pele, raspou osso, amarrou, grudou, costurou carne.
Remendou. Já era outra.
Nunca mais competi.